Saúde Integral

15/09/2020 08h00

A Força da Acupuntura

O método consagrado na medicina chinesa e no ocidente trata uma infinidade de problemas de saúde

Por Nosso Bem Estar

Nosso Bem Estar
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A força da acupuntura

A Acupuntura surgiu na China onde há registros do uso de agulhas para tratamentos de saúde com cerca de três mil anos. Integra a medicina tradicional chinesa e tem uma visão energética do organismo. Considera que existe uma energia que percorre todo o corpo, sendo influenciada por ancestrais, alimentação, respiração, entre outros elementos.

Essa energia circula pelos meridianos (também conhecidos como canais de energia) e pode ser afetada por situações internas ou externas, que causem desequilíbrios, distúrbios emocionais e doenças.

A pressão e ou estimulação em determinados pontos dos meridianos é capaz de movimentar essa energia para que ela flua de forma adequada. O processo pode ser feito com a aplicação de agulhas ou com materiais como pedras, bambu e sementes. O método não se baseia apenas nos sintomas, mas tem uma visão holística, analisando questões emocionais e outros aspectos da vida e do corpo do paciente.

Os meridianos estão relacionados com os órgãos, como pulmão, coração, fígado, rim, bexiga, intestino e estômago. Já os pontos da Acupuntura estão espalhados por diversas partes do corpo e o profissional vai saber qual local deve ser pressionado/estimulado para liberar a energia e restabelecer o equilíbrio.

 Acupuntura na medicina ocidental

Em 1979, a Organização Mundial da Saúde (OMS) reconheceu os benefícios da Acupuntura para o tratamento de diversas patologias. No Brasil, já em 1958 era realizado o primeiro curso de formação em Acupuntura, mas a técnica só viria a ser reconhecida pelo Conselho Federal de Medicina em 1995. Dessa forma, algumas universidades passaram a oferecer a técnica como disciplina eletiva para aumentar a especialização na área.

E o avanço não parou por aí: em 2006, a medicina tradicional chinesa foi incluída na Política Nacional de Práticas Integrativas e Complementares (PNPIC), o que possibilitou o tratamento com Acupuntura a pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS). Hospitais particulares do país contam com residência médica em Acupuntura e oferecem a terapia aos pacientes em determinados casos.

As pesquisas

Estudiosos da Universidade de York, na Inglaterra, constataram os benefícios da técnica para a depressão. Na ocasião, foram analisados mais de 750 pacientes com sintomas moderados e severos e a Acupuntura se mostrou efetiva para complementar o tratamento.

Em outra análise, feita a partir de 29 estudos clínicos em diversos países, o método se mostrou, mais uma vez, positivo para tratar a lombalgia, além de outras dores crônicas, como osteoartrite e cefaleia. A investigação foi feita com mais de 17 mil pacientes nos Estados Unidos, Alemanha, Espanha, Suécia e Grã-Bretanha.

A Acupuntura ainda pode ser significativa para quem deseja engravidar. Pesquisadores da Universidade de Maryland, nos Estados Unidos, acompanharam cerca de quatro mil pacientes durante o processo de fertilização in vitro. Ao longo do estudo, observaram que a terapia contribuiu para o sucesso da fertilização, uma vez que favorece o fluxo sanguíneo no endométrio, regula os hormônios e diminui a ansiedade.

A técnica mostra resultados positivos em tratamentos para hipertensão, rinite crônica, obesidade, para amenizar sequelas motoras em casos de acidente vascular cerebral (AVC), entre outras situações.

Além disso, há uma variação da Acupuntura voltada para aspectos estéticos, com foco no rejuvenescimento, para suavizar marcas de expressão e rugas e aumentar a elasticidade da pele, entre outras vantagens.

Cuidados com a técnica

A Acupuntura é praticamente indolor e agrega mais qualidade de vida aos pacientes.  No entanto, deve ser indicada e realizada por profissionais especializados e com os instrumentos adequados. Geralmente a sessão tem, em média, uma hora de duração e o tratamento pode variar de acordo com o diagnóstico. Pode ser feita com agulhas ou  com laser.

Conhecer os pontos corretos e dominar a técnica de aplicação é essencial para os bons resultados. Além do tratamento para a dor, há outros benefícios, como o fortalecimento do sistema imunológico, melhora na circulação sanguínea, aumento de vitalidade e energia, relaxamento, diminuição de estresse e melhora do sono.

O acupunturista Lucas Luis Marmitt trabalha há 11 anos com Acupuntura clínica e estética e combina no tratamento outras terapias da medicina tradicional chinesa. Sua relação com a área iniciou a partir de uma experiência pessoal de cura de uma esofagite diagnosticada como crônica. Mesmo com medo de agulhas, decidiu experimentar.

“Esta técnica salvou a minha vida. Gostei tanto que resolvi estudar mais a fundo”, conta Marmitt, que hoje dirige um consultório juntamente com a esposa Denise Soares da Maia, também acupunturista. Entre os atendimentos estão acupuntura clínica e estética.

O profissional relata inúmeros casos de cura e/ou alívio de dor com a técnica. “É fantástica para todas as dores lombares. De 50 a 100% da dor é possível tirar já na primeira sessão. Tive vários casos no meu consultório com sucesso total. É excelente também para resolver problemas de enxaqueca”, afirma, ensinando que boa parte das dores de cabeça são causadas por energias do fígado e vesícula em desarmonia (neste caso em excesso). A causa pode ter questões emocionais, como raivas e nervosismo, que afetam o meridiano do fígado e da vesícula.

Segundo o terapeuta, "na visão oriental não existe patologia se o corpo estiver harmônico. É a energia em excesso ou deficiente que causa as dores e as doenças. E aí cabe ao acupunturista, através de anamnese, leitura de pulso e leitura de língua, identificar quais os elementos que estão em desarmonia e harmonizá-los. Consequentemente a saúde se restabelece".

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