Crescimento pessoal

15/10/2020 08h00

Um caminho para solução de problemas

A Investigação Apreciativa está sendo praticada no mundo corporativo, no serviço público, na economia, na educação e nos relacionamentos pessoais. Com impactos positivos em todos eles

Por Silvia Marcuzzo

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Um caminho para solução de problemas

Você deve conhecer alguém que está sempre reclamando, colocando defeitos em tudo ou se fazendo de vítima. Em uma situação de trabalho, esse tipo de pessoa geralmente aponta problemas e tem dificuldades de sugerir alternativas.

Esse comportamento, muito comum em diversos grupos, não promove um ambiente amistoso para a busca de soluções. No final do século passado, foi comprovado cientificamente que, ao abordarmos os problemas sob outra lógica através dos preceitos da Investigação Apreciativa, é possível encontrar caminhos para se resolver contextos complexos de uma forma mais efetiva.

O criador da Investigação Apreciativa, David Cooperrider fez suas pesquisas em um hospital que tinha relacionamentos truncados, permeados de mágoas e rancores. Algo corriqueiro em muitas organizações.

Depois de um tempo indagando para o grupo de dirigentes quais eram os maiores problemas no hospital, percebeu que as pessoas se exaltavam ao relatar alguns fatos negativos e criavam um clima ruim, ali na hora. Em determinado momento, ele teve uma ideia: e se perguntasse pelo maior sucesso que ocorreu naquela semana? O que de bom havia acontecido nos últimos dias? Houve um silêncio, era difícil para as pessoas mudar a forma de pensar.

Até que uma delas iniciou o relato de um fato extremamente positivo que havia ocorrido.

Outra pessoa, lembrando daquele caso, complementou e adicionou novos fatos e informações que corroboravam com o sucesso do que estava sendo relatado. Ou seja, o ponto focado foi o lado positivo; os ânimos de todos começaram a mudar ao falar sob esse ângulo. Aos poucos, essas conversas foram provocando uma verdadeira revolução na instituição de saúde.

Para uma jornalista que aprendeu desde cedo a apontar os defeitos, julgar e tirar conclusões conforme a minha própria experiência, essa metodologia da Investigação Apreciativa provocou reflexões, aprendizados e mudanças. E uma quebra total de paradigma.

Em 2014, comecei a estudar e pesquisar sobre funcionamento de grupos, pois vinha trabalhando em projetos socioambientais incríveis, que, muitas vezes, não obtinham sucesso porque as pessoas que os conduziam tinham dificuldades em se relacionar. Ficava evidente que era preciso entender melhor a dinâmica de comportamento das pessoas, seja em grupos de whattsApp ou em uma organização. Mas também senti que a mudança precisava acontecer primeiro por mim, pois eu enxergava o mundo conforme as minhas lentes.

Conheci a Investigação Apreciativa durante um Art of Hosting (um encontro com a facilitação de diversas práticas de diálogo) e depois fiz um workshop ministrado por Heloísa Gappmayerr  Biscaia, moradora de Bento Gonçalves, e criadora da primeira academia apreciativa do Brasil (www.apreciarte.com).

Atualmente, utilizo a Investigação Apreciativa para diversas situações da minha vida e no trabalho. Faço parte de um grupo de estudos e práticas de comunicação construtiva que reforçam o quanto o pensamento e o impacto do jeito de se expressar são determinantes na transmissão assertiva da mensagem.

NOVAS COMBINAÇÕES

Conforme o site do próprio Cooperrider, a Investigação Apreciativa fornece as ferramentas e métodos para elevar os pontos fortes de todo o sistema, para criar novas combinações e efeitos de concentração de pontos fortes e, finalmente, espalhar e implantar esses pontos fortes a serviço de um futuro mais positivo. É baseado em um princípio de liderança proposto pelo Peter Drucker muitos anos atrás “A grande tarefa da liderança é criar um alinhamento de forças de forma a tornar irrelevantes as fraquezas de um sistema”, ensinava Drucker “.

Isso é o que a palavra apreciação significa: valorizar o que, de fato, tem valor. Dessa forma, a inovação acontece, através da elevação, ampliação e multiplicação cruzada de soluções e descobrindo juntos o que funciona, o que é melhor e o que é possível.

Hoje, a Investigação Apreciativa está sendo praticada em vários lugares: no mundo corporativo, no serviço público, na economia, na educação, nos relacionamentos pessoais e está gerando impactos positivos em todos eles.

O método da Investigação Apreciativa busca o melhor nas pessoas, nas suas organizações e na realidade que as cerca.  Exercita a arte de perguntar sob o aspecto positivo que fortalece a capacidade dos sistemas para antecipar o significado e intensificar o potencial positivo. 

Ao invés de negação, ceticismo e diagnósticos que tem o medo como pano de fundo, utiliza-se o ponto onde se quer chegar. É uma abordagem baseada na força e colaboração, uma prática de engajamento por meio de perguntas que valorizam os lados bons das circunstâncias. Na essência da Investigação Apreciativa está a crença de que todos têm porções de bondade, forças e habilidades a serem cultivadas.

* Silvia Marcuzzo é jornalista, facilitadora e consultora em comunicação construtiva.

 

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