Família

16/10/2020 08h00

Estamos com déficit de natureza

A pandemia nos exigiu reduzir a circulação para evitar a propagação da covid-19 e o contato com a natureza está fazendo falta. Especialmente para as crianças.

Por Nosso Bem Estar

Freepik / NBE
Capa nosso bem estar(1)

Déficit de natureza

O termo Transtorno de Déficit de Natureza foi criado pelo escritor norte-americano  Richard Louv para chamar a atenção para problemas físicos e mentais derivados de uma vida desconectada do mundo natural.

O transtorno de déficit de natureza não é um diagnóstico médico, mas pode ser considerado como uma doença da sociedade. Entre os sintomas estão dificuldades de atenção, um menor uso dos sentidos humanos, índices elevados de doenças mentais, maior taxa de miopia, obesidade adulta e infantil e deficiência de vitamina D, entre outros problemas.

Nossa atração e necessidade de ambientes naturais e de envolvimento com outras espécies animais (além da nossa) são fundamentais para a saúde, a sobrevivência e também para o espírito. Essa conexão é parte da nossa humanidade e gera alegria e reverência. Traz a consciência do pertencimento, de que estamos ligados ao todo. Homem e natureza – uma coisa só.

EQUILÍBRIO

Doses de natureza também são fundamentais para compensar os efeitos mentais e físicos da nossa imersão tecnológica, especialmente neste período de pandemia. A natureza é antídoto para alguns dos efeitos negativos da tecnologia. Quanto mais hi-tech nossa vida fica, de mais natureza precisamos. “Fala-se muito de tecnologia nas escolas. Mas a grande vanguarda em educação não são tablets nem computadores, mas pomares, hortas e jardins. Pesquisas sugerem que o contato com a natureza é elemento fundamental para nossa habilidade de pensar e criar. Nas próximas décadas, os desafios ambientais exigirão mudanças fundamentais em nossas vidas e nas instituições. Precisaremos de líderes que entendam como o mundo natural funciona e como os humanos são parte da natureza”, diz Louv em seu livro A última criança na natureza, que já foi traduzido em 15 idiomas.

CRIANÇA E NATUREZA

Doenças que passaram a ser comuns entre as crianças nos dias de hoje, tais como hiperatividade, déficit de atenção, depressão, pressão alta e diabetes, estão diretamente ligadas à falta de natureza.

Um movimento mundial — Criança e Natureza  de retorno à natureza e para reconectar as crianças com ambientes ao ar livre está se espalhando e já chegou ao Brasil.

Infância e natureza estão intimamente ligadas. A criança tem um espírito exploratório inato. Brincando e descobrindo a natureza, vai aprender de uma forma descontraída e prazerosa.  Experiências na natureza provocam na criança um equilíbrio interno, autorregulador e pacificador. Esse convívio a coloca em contato com fluxos vivos, que se encontram em constante mudança, assim como a própria criança também está.

A conexão com a natureza é benéfica para o desenvolvimento da criança e também para a saúde do planeta.

EXPLORAR E ARRISCAR

Mesmo com uma pandemia sem data para acabar, sempre que possível devemos criar oportunidades para as crianças brincarem ao ar livre e exercitarem a sua “natureza exploratória”.

Um passeio na mata, uma caminhada no parque, praça ou jardim, num lugar bonito com pássaros, árvores, plantas, flores, terra úmida e insetos, aguça a curiosidade infantil. É importante vivenciar cheiros novos, sons de pássaros, do vento, das folhas secas, formas diferentes de folhas, cores variadas de flores. Observar formigas, lagartas, minhocas, musgos, líquens e diversos seres vivos.  Andar na lama, na chuva, acompanhar borboletas, subir em árvores, colher frutos, pegar pedras.

São possibilidades encantadoras de brincar com a natureza e perceber que o mundo é bom, belo e verdadeiro. Mas permitir à criança arriscar-se e desafiar os limites do corpo também são componentes da aprendizagem e do desenvolvimento.

O jogo arriscado consiste em brincar livremente sem controle de adultos e assumir alguns desafios que podem envolver ferir a si mesma. Trata-se de uma parte natural e positiva da brincadeira das crianças que é crucial para aprender como administrar situações e desenvolver habilidades para a vida. Dizer que é preciso que crianças corram riscos para sair da zona de conforto e se preparar para o futuro não significa de modo algum colocá-las em perigo, mas permitir que elas mesmas avaliem o risco de machucados sem maiores consequências.

O jogo arriscado geralmente envolve escalar, equilibrar, saltar de alturas e ficar de cabeça para baixo e é essencial para o desenvolvimento de habilidades motoras, equilíbrio, coordenação e consciência corporal. Também empodera para lidar com emoções como o medo, a raiva, a frustração, e ensina a perseverar para tentar de novo, fazendo algo de uma maneira diferente.

PARA BRINCAR

- Leve os filhos a passear pelo quintal ou em áreas verdes. Saliente a diversidade da vida que reina em cada local. Se a criança demonstrar grande interesse em um dos animais ou plantas, concentre seus esforços nele e amplie o universo de informações.

- A tecnologia pode ser uma aliada: os aplicativos PlantNet e Plantyx conseguem identificar espécies botânicas pelo celular. 

- Incentive seus filhos a se envolverem em brincadeiras não supervisionadas. As crianças costumam fazer incríveis descobertas ao ar livre por conta própria.

- Conheça o movimento Criança e Natureza

(https://criancaenatureza.org.br/acervo/crianca-e-natureza/ )

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